Enfim, o Carnaval.

Eis que, após tanta espera, chegou o carnaval. Chegando como uma visita vaidosa que nunca repete a roupa, vai se encaixando em meio às possibilidades do local em que se encontra. Se no ano passado sua rápida permanência foi perfeita, o que nos aguarda no momento atual?
Nada suave, assuntos antigos se misturaram, colocados frente à face. Um tanto quanto devastador, ou não.
Abrindo caminhos como uma foice raivosa, este foi um fragmento de alguns carnavais vividos. Levando o velho embora, afogando o que é necessário abandonar.
Bethânia e Gal Quer Ser Gretchen-Por quê Nós Também é Cool #congafeelings, Cowboy Bonzinho, As Máscaras da Madrugada, Indiano, Whitney Houston, Xerife do Amor, Gabriela Religiosa seguraram as mãos da entidade carnaval e juntos nos deixamos levar pelas quebradas sem olhar para trás. Quais serão os personagens, ou melhor, facetas das minha personalidade que serão espalhadas pela cidade em forma de fantasia?
Cada passo, uma nova chance. Olhos se encontram. Uma paisagem pornográfica é composta à beira da encruzilhada.Olhos abertos. Olhos fechados. Quem vê, para e quer. Aglomeração. Mas nenhuma aproximação. Tem quem tenta. Mas não é fácil.Desejos engolidos garganta abaixo.
Fantasias despidas pelas ruas. Pele como única vestimenta. Corpo contraído quando banhado pela maresia da madrugada. As luzes do Vidigal observam. Os Dois Irmãos velam.Sono acolhido pelas areias de ipanema. Mente rápida. Quase perdem. Da paz ao temor. Ruas desertas. Onde foram todos? Cinco e meia da manhã. A festa acabou? Observando as esquinas, a resposta é não. Tornam-se as novas companhias da madrugada, permeadas por línguas impossíveis de ser compreendidas.
A entrega pelo gosto do teu sangue.
Entre um tiro de flores e saltos gigantes que derretem ao sol, a covardia mostrou-se presente, se apossando e assim murchando sua aparência. Tal beleza passou a não mais existir.
Porteiros apaixonados.
Fotos. Indiscretas ou não. Mostrando o rosto, ou não.
Negro de saia curta faz sucesso.
O cabelo é de verdade. O sorriso, também. Vem de dentro, que nem a vontade de beijar.
Sapatos gigantescos na janela, pra que todos saibam quem ali mora.
A casa pode lotar, mas no final sempre cabe mais um.
Interações.
Gente que sabe brincar.
Gente que não sabe brincar.
Gente legal.
Gente besta. Gente idiota que confunde diversão com depredação.
Coelhinhos felizes.
Amigos pelo caminho.
Uma foto horrorosa iniciando um caminho perfeito.
Você fala português? A melhor pergunta. Resposta inacreditável.
Brigas. Gente que lê o que bem entende. Ofensas por inbox. Susto. Estranhamento. C’est la vie…
Abanando o rabo. Incoerência. Virgindade? Reencontros, promessas, desejos, vontades. Cuidado.
Todos conversam, cantam, interagem. A roupa mínima é permitida. O metrô torna-se um parque de diversões, contrastando com um funcionamento porco, com suas entradas e saídas delimitadas e limitações para compra do bilhete. Vexame total. Pelos outros lugares onde passei, tudo estava mais organizado. Muito melhor que no ano passado.
E o amor de carnaval? Aquele que vai embora na quarta-feira de cinzas? Sim e não! Sempre!
Ele invade arrancando asfalto com os dentes, intimidando a demência afetiva alheia, que prefere se manter numa eterna distância segura. E assim, nos caminhos que interligaram Cordão do Boitatá, AfroReggae, Banda de Ipanema, Banda das Quengas, Cordão do Bola Preta e muitos outros blocos e ruas, a intensidade se fez presente. Me obrigando, em meio à festa, a refletir, chorar, rir, vociferar e seguir em frente, regido pela certeza mais forte que qualquer bloco com dois milhões de foliões.

Obrigado, carnaval, por abrir meus caminhos.
Você é intenso… e perfeito.

Agora é aguardar…

Porém, caso me encontre pela rua, me dá um abraço, segure meus quadris e me beije nos lábios. Prometa que me amará para sempre. Por que sempre é a duração do contato.Gerson Couto, carnaval 2015
Essa é a história que quero contar daqui vinte anos.

Nos encontramos pelas ruas do Rio de Janeiro.

E para aquecer, um vídeo contendo alguns momentos do carnaval de 2015 (grande parte dele totalmente tomado por Gretchen, na época o foco devido à produção de sua biografia):

Ao som de David Bowie – Bleed Like a Craze, Daddy.

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