Pode Acontecer com Qualquer Um

Engraçado como situações bizarras brotam em nossas vidas nos mais variados e inesperados momentos.

Saindo do Oi Futuro e já atravessando uma feira itinerante de livros, enquanto observava os exemplares à venda, um som seco às minhas costas. Um idoso, muito mais alto do que eu, estatelado no chão e se movimentando de forma estranha. O casal que estava do meu lado imediatamente foi socorrê-lo. A poucos passos do vovôzinho, um banquinho de madeira. Teria ele caído dali? Impossível saber agora. Eu é que não perguntarei.

Enquanto perguntava à moça se queria usar meu celular para ligar para a emergência, um rapaz se aproximou e ficou falando coisas como: – Calma, o senhor está bem? – O respondi mentalmente Claro que está bem. Não vê que é uma brincadeira dele subir no banquinho e se jogar no chão? Nisso ele começou a se contorcer devagar. Fiquei de olho em sua boca, pois poderia estar tento um ataque epilético e consequentemente engolir a própria língua. Olhei para o rapaz e disse: – Deve ter sido efeito do álcool? Sentiu o cheiro forte?

Ele balançou a cabeça negativamente. Pois eu senti. Nisso ele parou de se contorcer, até se levantar e sair andando velozmente como se estivesse prestes a perder o último ônibus sabe-se lá para onde. Ninguém entendeu o que havia acontecido. Num momento ele quase morre para, no seguinte, sair correndo ate desaparecer? Eis que outros vendedores da feira se aproximam e dizem:

– Isso sempre acontece. Não se preocupem. Ele toma remédio controlado!

– Mas ele não bebeu nada alcoólico? Senti um cheiro forte vindo dele!

– Não! Sem chance! Nada a ver – Me respondeu deixando claro o quanto não gostou da minha afirmação. Mas o que posso fazer se senti? Não dá pra se confundir quando diante de alguém que encheu a cara.

 

Meses depois, numa estação de metrô em Copacabana, acabava de pisar na escada rolante. À minha frente, uma idosa gorda e sua filha adulta. Enquanto ouvia minha música, a sensação de algo estranho acontecendo. A senhora começou a jogar todo o peso em cima do corrimão de borracha da escada, o que fez com que ele desacelerasse e por isso, começou a cair enquanto gritava Ai meu Deus, estou caindo! Estou tonta! Não consigo me segurar! Estou caindo!! A filha não ficou muito atrás, também gritando: – Mãee! Se segura!!! Mãeeee! Cuidado!! E então o absurdo nasce em meio à cena. Ela caiu em cima de mim. Instintivamente a segurei pelas axilas quando, em seguida, desejei morrer. Estava toda suada! Que nojo! Era tudo que conseguia pensar enquanto não a deixava rolar escada abaixo. E ela, parada, continuava gritando que estava tonta e que não conseguia se segurar. Ao chegarmos no fim da escada, a filha me agradeceu imensamente, a respondi com um sorriso tímido pois tudo que queria era sair dali, gargalhar e lavar as mãos. Praticamente encharcadas pelo suor alheio.

Coisas da vida? Quem vai saber.
Pelo menos ela não se machucou. Nem eu.

Ao som de The Cranberries – Tomorrow

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