Cupcake – Eu Te Odeio

Passeando por um shopping em Brasília durante o intervalo de um trabalho, tive como companhia uma amiga que não parava de falar em cupcakes. Lembrei do movimento nas redes sociais: Pessoas extremamente felizes (Como se tivessem passado no vestibular) por ter conseguido fazer alguns em casa, postando fotos e trocando novidades sobre o tema, além de pesquisar todas as novidades sobre o mesmo.

Os meses iam passando e a todo momento surgia alguém para falar sobre eles. Porém nunca de maneira trivial. Ao falar cupcake eram tomados por uma absurda aura de alegria, como se estivessem nadando com golfinhos, tomando sorvete pela primeira vez o encontrado o grande amor de suas vidas.

Cupcakes têm cores e formatos variados, uma quase tradução da eterna e verdadeira alegria. Nunca vi uma pessoa ficar tão feliz por ter feito uma feijoada ou um frango assado como quando fazer um cupcake. Observo o movimento, porém não tenho opinião formada. Por isso, paro frente à uma loja e com o coração aberto, peço um de chocolate. Todos ao meu redor estão extremamente felizes e excitados. Será que colocam alguma droga no cupcake? Estaria nele o segredo para a felicidade eterna? Parece que estão comprando a tão sonhada casa própria!!

Ele agora está em minhas mãos. O aproximo com cuidado e sinto seu cheiro. Parece bom. A expectativa cresce. Minha amiga me observa com grande entusiasmo, quase dando piruetas ao meu redor. A primeira mordida. Ela para. Seus olhos vibram. Fui desvirginado do incrível mundo dos cupcakes.

– E então?

– MAS… QUE BOSTA É ESSA? ISSO É BOLO!! – Só pensava nos onze reais que havia perdido naquilo.

– Sim. Cupcake é bolo. Não é maneiro?

– NÃO! ISSO É RIDÍCULO!!! Um monte de gente com barba na cara se vangloriando dessa desgraceira. Ao invés de fazer um bolo, você faz um bolinho! Grande bosta! Prefiro o bolo! Você faz e o come inteiro! Mas que troço é esse que enfeitiçou as pessoas??

– Ahh Gerson, é maneiro!

– É podre! Se pudesse pediria meu dinheiro de volta! Por quê todo mundo carrega essa aura maluca de alegria quando come esse pedaço de bolo de formato engraçadinho? Será que o deles vêm recheado com drogas vindas do mercado negro? Talvez com crack ou ecstasy!

– Mas eles são bonitos! Olha esse com cara do Snoopy! Olha!!! Também tem dos Smurfs!!!!! São tão fofos!!!!!!

–  Foda-se a aparência deles! Eu compro para comer. É tanta propaganda, tanto delírio, que eu esperava qualquer coisa, menos um pedaço de bolo desenhado e altamente colorido!                -__-

Termino de comer o “tão desejado” cupcake. Vou a outro estabelecimento e peço um sorvete a fim de tirar a “sensação ruim”. Agora sim uma verdadeira alegria.

Minha opinião pouco importa. As pessoas continuarão obcecadas pelos cupcakes e não há nada que eu possa fazer, exceto ignora-los. Os cupcakes e as pessoas, quando em sintonia divina com eles. Se eu soubesse quem foi o(a) “criador”(a) dessa idiotice, enviaria a seguinte carta:

Parabéns! Você conseguiu convencer milhares de pessoas de que comprar um pedaço de bolo colorido é mais legal do que um bolo inteiro! Esse único pedaço parece ser capaz de transportar as pessoas para uma alegria tão absurda, uma realidade tão perfeita que nem a mais potente das drogas consegue. A felicidade que essas pessoas emanam ao comprar/fazer um cupcake se assemelha à compra da casa própria.

Talvez você hoje seja milionário(a) devido essa idiotice. Parabéns. Mas a verdade é que a culpa não é sua. Nem de ninguém. Não há culpa em amar a idiotice, uma vez que foi criada. As pessoas simplesmente se maravilharam com a ideia de um mini bolo colorido e de formato engraçadinho/fofo. Por mais vergonha alheia que isso seja. Mas eu não caio nessa. Prefiro o tabuleiro inteiro. Esse posso comer o quanto eu quiser. E a felicidade que vem no tabuleiro é muiiiiiiiiiiiiiiiiito maior que a desse pedacinho idiota e colorido.

Portanto, Sr Criador(a) do Cupcake, saiba que você nunca me enganou. Não fui enfeitiçado. Vai tomar no cu! Posso amar muitas idiotices, mas não os cupcakes.

Ao som de The David Bowie – Go Now (live)

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