A Professora, O Lanche e a Frustração

Cada unidade de ensino tem suas histórias, mitos, lendas e monstros. Percorrendo uma matéria não muito interessante, ministrada por uma louca de sobrenome forte (naquele universo) e certamente por isso ocupando tal cadeira, a querida professora queria estender as aulas por duas semanas a mais, porém a própria percebendo que seria mais encheção de linguiça do que já havia sido por grande parte daquele semestre, tentou encontrar outras alternativas. A melhor seria ela assumir que aquilo não resultaria em nada e colocar um ponto final, mas não. Pelo menos era receptiva às alternativas propostas por nós. Porém tais diálogos estavam tão surreais a ponto dela ter esquecido o que tinha dado na aula passada. Não suportei, levantei a mão e perguntei:

– Que tal se fecharmos a matéria com uma mesa redonda e em seguida um lanche?1k2ks3c2ku83lm5vp8nye0mf2

A sala explodiu em gargalhadas, apesar de muitos concordarem de que se tratava de uma boa ideia. Uma das minhas amigas, que não perdia a chance de ironizar tudo que era possível, junto a mim, riu por mais de vinte minutos. A questão não era um aluno propor o fechamento de uma matéria com um lanche e sim quando o mesmo, a um passo de se formar, apresenta tal ideia, como se não existisse uma bagagem de anos de estudo. Eis que a professora falida das ideias apresenta outras ideias. Novamente foi impossível permanecer calado.

– Se em quatros não aprendemos nada disso, espera mesmo que aprendamos em quatro dias?

Eu e minha amiga saímos da sala descontrolados, rindo com o absurdo que era tal situação. Porém no fundo, eu estava chateado. Esperava algo muito diferente do qual me deparei. Quando no terceiro período, passei a achar tudo estranho, esquisito. Algo me dizia para mudar de curso, porém vinha em minha mente todos os estudantes, dos cursos mais variados, que diziam que em algum momento também se cansaram da faculdade escolhida. Que nada era além de um cansaço momentâneo.

Atravessei períodos como besouros pela noite e nada mudou. Agora faltava muito pouco para o fim e nele foquei. Fui o único culpado por não ter me arriscado. Aqueles bons conselhos e momentos de acalanto não eram para mim e eu não tive a capacidade de entender isso.

Diploma na mão e frustração na alma.

 

Ao som de Ney Matogrosso – Balada do Louco

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