Pokémon Go

Aos quatro anos ganhei um vídeo game. Assim como os outros meninos da rua, tinha o momento em que queria jogar, porém, sempre preferi brincar na rua. Meu amigo mais antigo sempre foi um apaixonado por jogos eletrônicos. Casou, teve dois filhos e continua jogmaxresdefaultando. Quando nos encontramos, nos dias atuais, ele fica jogando enquanto conversamos. Poderia citar outras dezenas de exemplos dos jogos, mas o foco deste post é Pokémon Go. 

De maneira objetiva e rápida o jogo quebrou todos os estereótipos relacionados aos aficionados por jogos eletrônicos. Quem jogava ouvia o tempo todo que tinha que andar, fazer amigos, sair do quarto, se relacionar, socializar, se exercitar, enfim… viver de acordo com a realidade de sua idade, porém fora do quarto. Adulto jogando? Pior ainda!! Sinal de bobão imaturo e qualquer outro sinônimo de que parou no tempo. Aí, numa época em que todo mundo só anda olhando para o próprio celular e ainda usando fones de ouvido, assim se isolando ainda mais do ambiente ao seu redor, lançam Pokémon Go, que assim que lançado começou a unir pessoas de todas as idades com a única intenção de se divertir.

Desde quando comecei a jogar, já conversei com mais de dez pessoas na rua, indo desde grupo de garotos adolescentes à esposas acompanhadas por seus maridos e crianças acompanhadas por seus pais, além de grupos que me chamaram para me unir a eles. E o mais importante: Por todo o tempo não quis usar nenhuma rede social e sim conversar com as pessoas ao meu redor. Não me lembro se isso um dia aconteceu, tanta interatividade na vida real por causa de um jogo. A realidade aumentada de Pokémon Go trouxe diversão e comunicação para o mundo real, o que, curiosamente, nenhuma rede social conseguiu fazer, afinal, você conversa, chama para um café ou uma volta todos os seus contatos nas redes sociais? Pois então…  A interação é real, não são personagens conversando, somos nós. Muitos que até dias atrás mal sabiam quem era seus vizinhos agora conversam com eles, suam, saem de suas casas, conversam com desconhecidos de idades diferentes das suas, trocam whatsapp e formam grupos que se encontram na vida real. Até quando isso vai durar? Não importa, o jogo um dia vai passar, mas a experiência dos quilômetros percorridos e conversas com pessoas mais variadas, não. Isso é um enorme avanço (Procure sobre relatos de pessoas com diferentes fobias, transtornos e afins que começaram a quebrar barreiras por causa do jogo).

Será que os fãs dos jogos eletrônicos aceitarão voltar para o interior de seus quartos após essa experiência? Bem, só posso falar por mim, que nunca gostei de jogar NADA (Acho que o último jogo eletrônico que realmente quis jogar foi Doom 3D): Toda essa interação nascida do jogo é simplesmente sensacional! O simples fato de ter que sair de casa, reconhecer detalhes da minha realidade naquela proposta, me faz querer jogar e conhecer pessoas que estejam jogando. Se outros jogos surgirem com essa proposta, provavelmente experimentarei.

E se você acha tudo isso uma idiotice, crie algo melhor, que mantenha toda essa interação na vida real e nos apresente.

 

Ao som do tema de Pokémon em português.

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