Um Presente de Aniversário em São Paulo

Todos os meus aniversários são incríveis. A cada ano penso (ou não), programo coisas (ou não), porém, naquela vez, quis fazer algo níverdiferente, inusitado e por muitas vezes contraditório. Mas o que? Tentar encontrar um lugar para reunir os amigos ou aqui em casa mesmo… Cozinhar algo maneiro, conversar e rir até explodirmos… Enfim, milhares de possibilidades, repetidas ou não. Mas não queria repetir. Pelo menos não como opção principal. Precisava de algo novo. Assumi que queria o contraditório, o maluco, o mais difícil. Como querer tudo sem fazer nada? Era mais ou menos essa a ideia. E nessa maluquice permaneci perdido. Deixar as coisas acontecer e a partir daí comemorar, celebrar ou seja lá qual for o nome.Mas como fazer isso? Por mais que me aventurasse não encontrava a resposta ou sequer uma pista. E sinceramente, parecia quase impossível conseguir tudo sem nada fazer.

Até que, semana passada, fui por motivo de trabalho à São Paulo. Seria um bate e volta, mas ao invés de adentrar no ônibus rumo ao Rio com meus amigos, peguei minhas coisas e decidi que por lá ficaria. Eles partiram e lá fiquei. Nas mãos, um pacote de pipoca e uma mala pequena em meio à multidão que se dissipava, todos iluminados por uma enorme lua cheia naquela noite gelada.

Em São Paulo permaneci por três dias e meio. No meio deste trajeto inusitado, percebi que tudo que estava acontecendo era a resposta do que tanto sonhava para o meu aniversário. Sim, a celebração que tanto desejava nada mais era do que um presente sincero dado pela vida e  minha única obrigação era usufruir, respirar fundo e adentrar em tudo que aparecesse pela frente, sem pré julgamentos que pudessem me afastar de uma possível e eterna alegria.

Anunciei às pessoas mais próximas de que aqueles dias eram a celebração do meu aniversário. Ninguém entendeu nada. Mas não era pra entender, era pra viver, rs…

Revi grandes amigos. Amizades virtuais tornaram-se reais. Fui recebido como um rei por todos. Roubei camas. Descobri lugares. Quase toquei a campainha da casa de um ídolo desaparecido (Não tive coragem). Comi como um maníaco por onde passei. Descobri que os ônibus de São Paulo são estranhos, seu interior cinza e triste é quase um convite à depressão, em compensação atravessei a cidade usando metrô e trem, indo da elite ao subúrbio. Ri acompanhado e sozinho. Ganhei e perdi companhia pelos trajetos. Mudei a rotina de alguns amigos. Dançamos em plena Av. Paulista. Flertei por todos os caminhos. Vivi e andei por extremos na distância de um passo. Distribuí sorrisos e flertes pelas avenidas, assustando contidas condutas. Apresentei-me com nome falso. Gargalhei. Realizei fantasias guardadas e mantidas por mais de uma década. Adentrei em carros desconhecidos. Amei. Fui personagem de Nelson Rodrigues.

Numa única tarde me apaixonei, casei e terminei. Tornei-me amante da realidade à minha frente e nesta condição deixei marcas invisíveis, guardando as selfies num canto secreto da minha memória. Redescobri que a vida real é muito mais bombástica que qualquer devaneio fantástico! Fiz amizades. Fui apresentado aos trabalhos de pessoas que conheci naquele exato momento. Descobri promoções. Ao meu redor, um filme de terror oriental. Quase corri da polícia numa explosão da manada de muambeiros após me ver em meio a corredores e corredores vazios compostos por lojas fechadas devido à falta de segurança, o cenário perfeito para um filme de zumbis. Achei que seria morto e meus órgãos vendidos. Tudo por que meu amigo esqueceu de me avisar que o lugar havia sido desativado. Encontrei amigos cariocas pelo metrô, amigos paulistas pelas livrarias e ruas. Quem foi que disse que ninguém se encontra em São Paulo?

Nestes três dias e meio a vida me ofereceu a melhor festa de aniversário. Claro que faltou muita gente, mas não me culpe. Quem organizou a festa foi a vida, não eu. E a regra nunca ficou tão clara para tal celebração: Não procure, não cace ou force nada. As coisas acontecerão. Outras celebrações virão. Mas a que mais desejei, aquela que não sabia com explicar, a vida encarregou-se de me presentear. Fui embora de São Paulo com saudades.

Meu aniversário foi inesquecível! E pela primeira vez, comemorei meu aniversário numa sexta-feira 13!!!

Até então, jamais acreditei que para ganhar da vida um presente sincero, só precisava pedir!!

E obrigado a todos que transformaram estes três dias e meio num emaranhado de maluquices e alegrias!!!

Ao som de Sinéad O’Connor – Take Me to Church

OBS: Nasci no dia 04 de julho. Normalmente comemoro por todo o mês de julho. A partir de agora, será quando eu bem entender… 🙂

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