Eu e Você Pelados no Mundo Fashion

No Rio de Janeiro existe uma variedade de feiras de roupas e moda em geral. Numa delas, acabei permanecendo por uma série de razões.    Por isso estive em contato direto com o público, observando como as pessoas (a maioria mulheres) se vestiam e portavam. O que resultou numa listinha e alguns pensamentos sobre o que mais me chamou a atenção. Vamos a eles:

Salto alto -Sou totalmente contra a censura, mas quem deu liberdade à toda e qualquer mulher de usar salto alto? Posso dizer que um grande número usava saltos enormes, pareciam acreditar numa imponência imaginária, quando na realidade andavam como se estivessem passando mal. Existe uma postura ao se colocar um sapato e não é o mesmo que te transformará numa diva. O salto é lindo, mas a coluna está torta. Os ombros caídos apresentavam os seios como duas bolas de carne prestes a se desprender do corpo. Algumas, ainda não felizes, andavam balançando os braços como o Jar Jar Binks, personagem da saga Star Wars! Joelhos estendidos? Nem pensar. Como pode alguém se achar sexy/bonita/atraente andando como se estivesse quicando nos joelhos enquanto se locomove? Você pode ser linda, mas se não souber andar de salto, se tornará algo tanto quanto bizarro. É a mesma coisa que comprar um batom vermelho e desenhar uma boca torta por toda a testa e achar que está igual à Marilyn Monroe!! Usar salto exige SIM uma postura e não me venha com essa de liberdade! Exceto se você quiser parecer feia. Já do outro lado da moeda,  uma mulher na faixa dos sessenta anos usava um daqueles pretos clássicos e bastante altos (acho que é o scarpin), mantendo uma postura tão elegante que era impossível não olhar para ela, que inclusive percebeu que eu a observava. Uma mulher dessas consegue quem quiser, muito mais que você, baranga aos 28, que usa salto mas parecer ter estar andando numa rua esburacada.

Outro calçado que vi bastante e achei muito feio, mas muito mesmo, é a tal da sandália gladiadora. Parece que pegaram o primeiro lixo que viram pela frente e amarraram nos pés. Sem contar que dá um ar de piranha esquecida pelo tempo. Nada contra ser piranha, pelo contrário, mas pôxa, seja uma piranha bombástica e não o resto dos restos.

Milhares de mulheres loiras devido essas luzes nos cabelos. O efeito pode até ser bom no início, mas elas não cuidam e o que parece é um amontoado de descabeladas que levaram um choque elétrico e em seguida trabalharam o restante do dia dando banho em cachorros, lavando carros e depois saíram rumo ao evento. O cabelo espigado, grosso e mal cuidado parecia ser capaz de matar alguém se elas decidissem ser sexys e jogá-los violentamente para o lado, possivelmente decepando o próprio ombro ou a parte acertada da pessoa ao lado. Química requer manutenção. De que adianta ser platinada e parecer uma mendiga que dormiu com a cabeça na água oxigenada e acordou com o cabelo todo estragado? De que adianta a cor que a maioria considera sexy se até a peruca usada no carnaval passado está mais hidratada? Ok, você pode ser gostosa pra caralho, mas o cabelo te deixou estranha. Muito estranha. Não é possível que elas não vejam isso. Andando pelos corredores, me senti na seção da fábrica de bonecas onde depositam os exemplares iguais, porém defeituosos e inutilizáveis. Se ninguém fala nada sobre o estado do seu cabelo, repense com quem está andando. Você é uma dessas que mantém esse troço “rabiscado” na cabeça e critica dreads? (Ouvi muitos comentários negativos sobre neste dia). Curiosamente vi várias mulheres que usam e os mantêm em perfeito estado. Pode ter certeza de que dreads dão muito mais trabalho que essa coisa platinada em sua cabeça. E sim, elas e seus cabelos eram lindos!

Homens Gays – Engraçado como muitos usam certas marcas como uma armadura mágica que resolve tudo. Abercrombie & Filch deixa gostoso. Cuecas Calvin Klein deixam a bunda dura e o pau grande. Armani aumenta a conta bancária, deixa o corpo escultural e os transformam no outdoor ambulante mais desejável e impossível por todo o tempo em que as estiverem vestindo. Mas o que acontece não é isso e sim um monte de caras barrigudos e flácidos usando uma numeração quase infantil e se achando fortes. Nenhuma roupa transformará sua barriga volumosa num tanquinho, sua bunda não se tornará dura por causa da marca da cueca. Hoje em dia é fácil ver qual cueca o cara está usando, todos os elásticos ficam à mostra, ainda mais quando usam roupas de numeração 42 e têm um manequim 54. Aí é complicado! Eles acreditam que o peito está duro, quando na verdade está “pendurado” no próprio corpo ou mantido no lugar por causa do “vácuo” dentro da camisa. O perfume e os óculos ajudam a dar um ar importante e ousado, mas tal não é sustentado mais que alguns segundos. Ao cair por terra, você se vê olhando para alguém que tenta ser algo, mas não sabe bem o que quer ser. Confuso? Bem, o visual, também! Quer ser gostoso, chamar a atenção? Use roupas que moldem seu corpo e não o sufoquem. Se você usar um espartilho, a gordura terá de ir para algum lugar. Acredite, ela não desaparecerá! Malhe, pois roupa não é guindaste. Ou então deixe isso de lado. Ser barrigudinho não é feio e muito menos um defeito. Todo corpo, com seu formato único, pode sim ser maravilhoso. Mas com essas roupas e postura, você se torna um ser estranho que certamente atrairá pessoas com algum tipo de distúrbio. A coisa é mais simples do que parece. Todo homem gay acha algum cara hetero bonito e interessante. E 90% por cento das vezes esses caras estão esteticamente totalmente diferentes dos interessados. Normalmente queremos ser tudo aquilo que achamos belo, então, qual a questão? Ele chamaria sua atenção se estivesse vestido como você? Não é possível que você pare frente ao espelho e ache bonito uma camisa extremamente apertada que evidencia sua barriga e seus peitos! Sem dizer da calça que parece que vai entrar na bunda que quase não existe! Eles não olharam para você. E duvido que você olharia se eles estivessem com vestimentas como as suas.

Homem hetero – Todos os tipos possíveis. Desde aquele que acabou de acordar e saiu como estava até o mais alinhado dos metrossexuais, seguindo à risca o bom-senso das vestimentas. Não há muito o que dizer sobre por que, por mais diferentes que fossem, todos pareciam carregar o mesmo pensamento: FODA-SE! O homem hetero parece, em meio àquele mundo fashion, ter em mãos a liberdade de um eterno foda-se estético. Veste o que quer e foda-se. Arruma-se por horas e foda-se. Ou não se arruma e foda-se também. Pode ter um closet entupido de maravilhas e fazer as combinações mais malucas e foda-se! Usam o que querem e ponto. As cuecas continuam aparecendo fora da calça. Vira e mexe uma Calvin Klein. E foda-se se aparecem ou não. Se arrumam quando querem e se eternamente desejarem permanecer atualizados como o melhor dos catálogos, assim farão e foda-se! Se seus corpos estão flácidos? Foda-se! Se malham todos os dias e seus bíceps parecem montanhas? Foda-se também! Nesse egoísmo do foda-se eles parecem ter encontrado a solução e o eterno interesse em muitos ao seu redor. Eles estão certos? Arriscado afirmar, pois todos, cada um à sua maneira, tem sua razão, um motivo para fazer o que faz e assim se apresentar. E estar perdido não é um motivo, mas certamente resulta, pelo menos em parte, da sua identidade visual.

Nesses dias, observando milhares de pessoas, escutando tanto sobre roupas, ideias, conceitos e posturas, cheguei à conclusão e vi que o poder do foda-se é o que mais encanta, seduz e atrai, para qualquer gênero ou condição sexual. Todos que carregavam esse foda-se de maneira sincera chamavam a atenção por onde passavam. Dali nasce um charme, algo que que não pode ser comprado. Que vai além de qualquer marca ou design. E nessa liberdade a gente descobre que ser fashion é muito legal, bonito e divertido, um mundo que vale a pena mergulhar sem se afogar e saber que chegará o momento em que teremos de tirar as roupas. Sem marcas e ostentações para manter o fascínio sobre o outro. As formas que você tentou enganar serão exibidas da maneira mais cruel, como um quebra-cabeça que se desfaz frente a outros olhos. O que foi apresentado, momentos antes, não era real. No final da noite ninguém transará com seu perfume, calça, saltos altos, cuecas e vestidos.

Moral da história? Se você não se sustentar pelada(o) , de nada adiantará se cobrir com o que acredita ser o melhor.

Claro que existiram nestes dias outros gêneros e possibilidades, tanto positivas quanto negativas, porém essas foram as que mais chamaram a minha atenção.

Ao som de Kid Abelha – Cantar em Inglês

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